BLOG DO ZÉ ROBERTO


Ah! MEU PAI...

      josé roberto de melo

   Meu pai, Odilon de Albuquerque Souza Mello, formou-se em farmácia e logo depois foi para o interior,  onde, pela falta de médico onde estava ele, teve que exercer a medicina e até a odontologia. Sempre teve muito sucesso, e eu até acredito que ele tinha, no desempenho dessas funções, um procedimento paranormal.(¹)  Deixe eu exemplificar para que me entendam. Certa vez o vi  atender um paciente  e dizer ao consulente que  para se livrar dos males que reclamava, tinha que se livrar antes de um foco de infecção dentária. O homem meteu a mão na boca e retirou um par de dentaduras completas. Eu gelei. Já era estudante  de odontologia e sabia que ninguem poderia fazer aquele diagnóstico, sómente por um exame clínico. A ausência dos dentes complicava a coisa. Papai não se perturbou e disse ao paciente:

   -Você vai ao Recife para fazer umas radiografias dos maxilares e depois vem cá.

   O homem voltou com as radigrafias e o diganóstico de um foco dentáro residual em uma raiz que havia sido deixada, na  sua mandibula, se não estou enganado.

 Mas o que quero lembrar aqui não é o especto profissional do meu pai. O que gostaria de lembrar era o gosto que ele tinha para fazer um discurso. Houvesse oportunidade e ele estava falando. Aniversário, casamento, batizado, ele estava pedindo a palavra. Outra coisa dele era a tara por mulher. Ele não era de festas, de farras, de bebedeiras. Nunca o ví entrar em um bar para tomar uma cerveja. Tomava raramente um vinho no almoço com a família. Tinha horror a cigarro. Mas quanto se tratava de mulher... O que vale é que minha mãe era muito compreensiva e as virtudes dela deram para que eles vivessem sem grandes tropeços.

 Certa vez saímos da Usina Pedrosa, onde moravamos, com um time de futebol para jogar na Usina Cachoeira Lisa. Viagem, diga-se passagem, muito desconfortavel, pois foi feita na carroceria de um caminhão. Odilon integrava a comissão dos cartolas, como orador. Logo na chegada, muita gente na recepção feita em uma bela casa de festas, conhecida como o Cassino, luxo que não era comum nas usinas. Na pequena multidão presente, salientava-se uma moça que podia se chamar de muito bonita. Ela era morena clara. Tinha um par de olhos grandes e verdes, brilhantes de encandear. Seu corpo, eu não sei se feito por inspiração divina ou diabólica, era dengoso e atraente, parecendo servir de argumento seguro para não deixar ninguem esquecido da perpetuação da espécie  humana. Notei que meu pai ao olhar para ela ficou extasiado. Era fácil perceber pois quando ele se entusiasmava por uma fêmea, começava a mudar o tom de voz, procurando introduzir na fala uns dengos que só a gente ouvindo podia avaliar. Não sei o que rolou, pois, logo depois,  o jogo absorveu completamente a atenção geral. Porém,  mais tarde, houve uma sessão solene, para as trocas de gentilezas entre os clubes e foi a hora de Odilon discursar. Ele sempre falava de improviso.  Não tenho a menor recordação de têlo-lo visto lendo alguma coisa para falar em público. Mesmo quando andou fazendo política; foi sub-prefeito de Xexéo, então distrito de Agua Preta, e quando ele morava na Usina Santa Terezinha. Nem quando foi candidato a deputado estadual. Mas foi por este discurso o meu lamento por não o ter à mão depois. E dele só me recordo da frase final. Do fecho da oração. O discurso que era sobre esporte, quando muito sobre o relacimento entre trabalhadores da industria do açucar, envolveu-se em uma ginástica de pensamentos e de palavras, e as frases  aquecidas pelo pulsar de um coração em polvorosa,  fundiu-se no cadinho da paixão. e terminou asssim:

   -A mulher é a oitava maravilha do mundo!!!

  Ah! Ele era incrivel.

(¹) Sobre a percepção extra-sensorial de Odilon, publiquei o livro A Paranormalidade no Cotidiano (Edições Bagaço)

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por melo28 às 17h30
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ESCANINHOS DA HIPNOSE-4

       josé roberto de melo

       Por que Contam os Hipnólogos?

     É comum na indução do transe da hipnose, se ver  o indutor acompanhar suas sugestões com a contagem de números. Por que acontece isso? Para que se entenda é preciso recordar um pouco da fisiologia do cerebro. Este orgão tem dois lados que funcinam mais ou menos  independentemente. O lado esquerdo que, comanda fisiologicamente  o lado direito do corpo, é o resposável pelo pensamento lógico do indivíduo. É ele que predomina naqueles que cultuam o pensamento racional. Ele é a praia dos matemáticos, dos engenheiros,  do pessoal das ciências exatas. Das pessoas que só acreditam no  que  pode   ser confirmado pelos cinco sentidos.

   O cerebro direito, que comanda o lado esquerdo do corpo é o que  faz o lado afetivo  da pessoa.  É o cerebro dos sonhadores, dos poetas, dos místicos. Daqueles  que são  facilmente     hipnotisaveis.  Para que os usuários do cerebro esquerdo não fiquem  perturbando a marcha da indução hipnótica   com os seus   questionamentos  se  dá   eles a verificação da contagem enquanto o processo caminha para o transe.

 

    



Escrito por melo28 às 12h13
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