BLOG DO ZÉ ROBERTO


BANHO

josé roberto de melo

    Na minha meninice conheci, na Usina Pedrosa, onde morava, uma velhota alegre que confessava não tomar banho. E se justificava: dizia que tinha ciência de muita gente que adoecera  e até morrera, por tomar um banho e ninguém que tivesse ficado doente por não se banhar.   Esta história pode causar espanto a desavisados, mas não é nova no mundo. O Palácio de Versailles, rica residência dos reis de França. aí por 1600 e tantos, tinha tal luxo que ainda hoje é museu. Mas não tinha banheiro. Aliás, contam que o fancês não gosta de banho. Prefere mascarar o fedor com perfume. O resultado disso é que, conforme me contaram, um bodum muito desagradavel, impera no metrô de Paris.

  Mas o que é o banho? Seria só o resultado da ação da imerssão total ou parcial de um corpo em líqudo especialmente água, para fins higiênicos, terapêuticos ou lúdicos?

  A palavra banho tem seus mistérios e significados totalmente diferentes. Posso falar em banho me referindo a proclamas de casamento. Que não tenha a ver com banho que certos estilistas, preparadores de noivas, no dia fatal, oferecem às próprias nos seus estabelecimentos. Ou me referir à imersão em leite de cabra que fazia rainha Cleópatra, do Egito, muitos ano antes de Cristo, para conservar a sua beleza. É banho o ato de se lavar em água limpa a livrar o corpo da sujeira que a vida oferece. Mas, também é banho cobrir o soma de lama sulfurosa e o sujar em busca de uma pele sadia. O banho  turco é feito com vapor: o banhista fica em uma espécie  de barril, só com a cabeça de fora. As senhoras antigas tinham suas peferências pelo banho de assento, onde somente a parte inferior (principalmente a zona pudenta) participava da limpeza  e era denominado solenemente de semicúpio. Aliás o semicúpio tambèm aliviava os homens, usado em temperatura elevada, nos casos de incômodo que injuriavam à próstata.

  Há banhos que lavando corpo limpam a alma. O batismo cristão que, era feito por imersão,  é um exemplo milenar. Na Índia se limpa o espírito banhando a matéria na aguas poluídas do Rio Ganges. Proteção espiritual se oferece com os banhos de ervas nos terreiros de candomblé. Especial no assunto é o banho de cheiro com sete ervas.Os antigos romanos possuiam as termas - luxuosos banhos quentes públicos. Coisa de séculos passados, mas que ainda hoje empolga alguns. Tabosa de Almeida construiu termas no campus da Faculdade de Dieito de Caruaru.

 Usado no regionalismo paraense, no carimbó, dança local, banho significa golpe de saias com que as damas cobrem os parceiros, que se agacham e diante delas negaceiam. Os bichanos animais não muito chegados à  água, lambem-se para se limpar, dando origem a expressão banho de gato.

   No sentido figurado o termo banho tem muitas raizes. Chama-se banho de sangue às catástrofes com muitos feridos e mortos; e afirma-se que toma banho de mar quem fica na praia, deitado na areia, sob o sól escaldante, atoicaindo cupidamente a anatomia da mulher do próximo, molhando-se apenas de suor, sem jamais entrar na água.

É possivel que os meus possiveis leitores se lembrem de outros banhos que não mencionei. Ficaria grato se me informassem.

  E para terminar permitam que cite o velho banho-maria. Aquele onde se põe uma vazilha no fogo, dentro de outra, com água controlando a temperatura da primeira. Este banho é chamado de "maria" em homenagem à sua inventora Maria, a Judia ou Maria, a Profetisa, antiga grega e famosa alquimista que viveu no Egito por volta do ano 272 a C.

  "Poetas , seresteiros, namorados"  fazem uma homenagem poética, quando chamam à  exposição das pessoas à luz  do satélite da Terra, de banho de lua. Benza-os Deus!

 

 

 

  



Escrito por melo28 às 09h01
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