BLOG DO ZÉ ROBERTO


DIPLOMA DE JORNALISTA

             josé roberto de melo

     O Supremo Tribunal Feraldecidiu que a exigência de diploma para o exercício profissional de jornalismo é inconstitucional. Quando iniciei minhas atividades jornalísticas não existiam ainda os cursos  superiores de jornalismo. Na verdade eu estava interessado na emancipação de Cortês, na época um distrito de Amaraji, pobre e desconhecido. Pretendia torna-lo visível e pedia aos jornalistas do interior que escrevessem uma matéria sobre este distrito abandonado. No fim da década de 4O, do século passado, a imprensa do Recife dedicava um grande espaço ao interior do estado. Cada jornal tinha uma página inteira diarimente dedicada a ele. Mas, cada pedido atendido ficava em um artigo só. Foi quando me decidi a entrar pessoalmente na briga.  Fui com a cara e a coragem à redação do Diario de Pernambuco levando no bolso um artigo. No jornal encontrei Waldimir Maia Leite chefiando a página do meu interesse. Tinhamos estudado ambos no Ginásio Diocesano de Garanhuns. Saí do Diário com certeza de que a minha matéria seria publicada e mais: com a nomeação de correspondente do interior em Amaraji.  Estava assegurado o espaço na imprensa que eu precisava para para defender Cortês.

  Criada a nova cidade tive a honra de ser o seu primeiro prefeito. Continuei usando a imprensa para divulgar o município. Juntei ao cargo de correspondente do Diario mais dois: Correspondente da Folha da Manhã e do Jornal do Commercio. Do Jornal do Commercio, lembro de Alcides Lopes, encarregado do noticiário do interior, me  ofertando a carteirínha do jornal e de uma centena de cartões de visita com a designação de "jornalista" impressa.

 Comecei a publicar o jornalzinho "A Cidade" que durante muito levava o nome de Cortês Brasil afora. Faziamos permuta com jornais do interior de vários estados. Lembro-me de um de Viamão, do Rio Grande do Sul. Cortês chegava ao Chuí, nos limites do sul. Fiz parte de uma campanha pelo reconhecimento do jornalista do interior como membro efetivo da Associação Pernambucana de Imprensa, que era grande instituição da época. O jornalismo matuto se movimentava. Faziamos congressos e publicavamos muito. Vários nomes se projetavam. A cultura do interior se  projetava. Pelopidas Soares, jornalista de Catende, se elegeu para a Academia Pernambucana de Letras.

   Foi então que apareceu a regulamentação da profissão de jornalista. Exigência de diploma. Trabalho de escriba remunerado. O pessoal que escrevia nas páginas dos municípios era praticamente todo de colaboradores sem remuneração. Os jornais recuaram. As paginas começaram a desaparecer. Com isso desaparecia uma cultura que parecia sedimentada. Só para comparar. O Jornal do Commercio publica agora uma coluna, aos sábados,  sobre o interior. São notas descoloridas que mais parecem anúncios de classificados. Passou o entusiasmo telúrico dos correspondentes que defendiam com amor o seu pedaço. O apreço de adnegados por sua terra. A divulgação de tradições e custumes locais. feita por quem partipava deles.

  É comum, quando se regulamenta um profissão, provisionar permanentemente àqueles que já participavam do ofício. Alguem, não me lembro quem, me alertou que eu devia requerer o que achava era direito meu. Eu além do jornal de Cortês, publicava semanalmente matérias assinadas em três jornais da capital. Requerí no Ministério  do Trabalho o que alguem mencionado acima, achava que era direito líquido e certo. Meu processo foi enviado para o sr. Joezil Barros, presidente na época do Sindicato dos Jornalistas para parecer. O mesmo que hoje é um dos grandes dos Diarios Associados em Pernambuco, mais que eu, com o devido respeito, sempre achei mais para burocrata do que jornalista, sem o brilho de um Anibal Fernandes ou Mauro Mota. O parecer de Joezil me fulminou: como correspondente eu não era jornalista por que não me pagavam. Do jornal de Cortês eu não era jornalista, era proprietário. Sem comentários.

   Livrei-me do vício de fumar com facilidade com auto-hipnose. E fumava muito. Várias carteiras por dia. A mania de escrever eu conservo. Durante muito tempo colaborei com as "Cartas à Redação" do Diario de Pernambuco. Parei quando Leonardo Dantas deixou de dirigir a coluna e apareceu alguem que mexia nos meus textos. Colaborei na revista "Região" que circulou em Palmares. Publique durante dois anos crônicas semanais no "Diário" de Maceió. Conservo minha coluna no jornal da Sociedade dos Cirurgiões Dentistas de Pernambuco. Publiquei alguns livros. Atualmente me devirto neste blog e conto com uma turma de amigos que sempre comenta as coisas que seleciono, lavando o meu ego.

Que Deus os abençoe, são muito caridosos




Escrito por melo28 às 10h21
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 



Meu perfil
BRASIL, Nordeste, RECIFE, CASA FORTE, Homem, Portuguese, Arte e cultura, Livros
Histórico
Outros sites
  UOL - O melhor conteúdo
  BOL - E-mail grátis
Votação
  Dê uma nota para meu blog