BLOG DO ZÉ ROBERTO


DORIS DE ONTEM E DE HOJE

                               josé roberto de melo

    Não. Eu não estava como o Brasil, "deitado em berço esplendido." Estava recostado prosaicamente no sofá da sala, com a intenção de assistir um jogo de futebol na televisão. Adormeci e não ví jogo nenhum. Acordei com o Jô Soares entrevistando uma senhora gorda, marca dos anos desenhada  em um rosto que me pareceu simpático, mas que eu não identifiquei logo, embora me parecesse familiar. Interessado diblei o sono e fiquei escutando o resto da entrvista. Logo estava sabendo que era da cantora Doris Monteiro que eu não via, fazia já um bocado de tempo. Foi então que me veio à lembrança a primeira vez que tinha me deparado com, a então, moça Doris Moneiro. Foi em tempo que a televisão era escassa e a gente não via cara de artista com muita facilidade. Fiquei então a comparar o que o tempo tem feito comigo; e pesar os estragos na minha pessoa.

   Eu estava voltando de São Paulo, de um congresso odontológico, no ano em que a pauliceia festejava o seu quarto centenário, e programado uma passadinha no Rio. Comigo no Rio ficou o colega Valdir Farias  que me convidou para assistir a um show no Capacabana Palace. Nesse tempo as maiores boites do Rio de Janeira contumavam apresentar grandes espetáculos. E foi para um desses que fomos nós, eu Valdir e mais duas colegas que tambem voltavam de São Paulo, com um convite que um parente  de Valdir tinha ofertado. Foi neste show que ví Doris Monteiro pela primeira vez. E me ficou na lembrança até hoje. Ela descia para o palco do teto, em uma espécie de gaiola dourada, portando um vestido branco, comprido. Na sua figura destacava-se  uma grossa trança, repousando para frente, sobre um dos ombros. Era realmente uma moça linda. Essa imagem eu guardei da Doris.

   Vi agora conversando com o Jô uma senhora  bem passada, tentando cantar, com uma voz respondendo dificil, canções de um disco novo, lançado com sucessos antigos. Fiquei me lembrando dos versos do poeta Bernardino Borba: "O tempo não corre vôa/ O tempo é bicho danado/  Pra consumir a pessoa." Não tive coragem de me  olhar no espelho no caminho para a cama.



Escrito por melo28 às 11h29
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