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MEMÓRIAS - 32
josé roberto de melo Durante o tempo em que fui interno no Colégio Diocesano de Garanhuns (1940-1943) o Brasil vivia a ditadura Getúlio Vargas.Agamenon Magalhães era o interventor de Pernambuco. O país vivia fiscalizado pelo DIIP, Departamento de Imprenssa e Propaganda que censurava até "O Ginásio" pequeno tabloide de circulação interna do colégio. A pressão do governo era exercida sobre os estudantes por diversas maneiras. Lembro-me de uma visita,de caráter oficial, que a turma de internos fez a uma loja maçônica, fechada pela polícia, acompanhada de um guia do governo com a explicação mais escabrosa e falsa sobre a instituição.Uma visita de Eurico Dutra, então Ministro da Guerra, a uma corporação do Exército sediada na cidade, fez toda a estudantada ficar horas, em formatura na ruas, com bandeirinhas nas mãos, esperando para saudar o homem. Junto ás turmas do ginásio foi instituida a instrução pre-militar que muitos admitiam inspirada na juventude de Hitle, joia do nazismo. Aprendíamos a lidar com fuzis, faziamos marchas rurais pelas cercanias. Mas, o sargento que dirigia os trabalhos, era meio limitado. A turma gozava quando ele pregava que o homem na posição de sentido era uma "estauta." Um dia um aluno cometeu uma infração e ele prometeu puni-lo solicitando o nome do infrator para tomar nota. Quando o aluno disse se chamar Wilson, ele suspendeu o lápis e resolveu dispensa-lo.A turma percebeu que ele não sabia escrever o nome. Rubens Soares, meu colega de turma, bricalhão, gostava de espicaçar o sargento para deleite dos companheiros. Um dia em que o assunto da aula era continência e o instrutor, no final, procurou saber se alguém tinha dúvidas,ele se saiu com esta: -Eu estou em beco, de um lado vem um general, do outro lado vem outro general, para quem eu me viro para fazer continência primeiro? Ao da direita ou da esquerda?
O sargento coçou a cabeça e confessou: -Meu filho eu estou na farda faz mais de vinte anos e até hoje não vi um general em um beco quanto mais dois.
Escrito por melo28 às 18h51
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CONGRESSO DE CAXAMBU
josé roberto de melo Comparecí, neste início de primavera, como venho fazendo, faz 18 anos, ao Congresso Sul Mineiro de Odontologia. É um conclave fora do calendário da ABO (Associação Brasileira de Odontologia), patrocinado pela Associação Brasileira de Cirurgia Oral e que ostenta a vaidade ser o mais antigo congresso odontológico brasileiro realizado sem solução de continuidade. Não se caracteriza pelo comparecimento numeroso como o congressso de São Paulo, com mais de 20.000 inscritos, onde é mais facil encontrar o mais recente produto lançado pelo mercado especializado na área, do que o vizinho de consultório. É um congresso de frequência pequena, praticamente sem estudantes, de profissionais com presenças constantes, o que já lhe garantiu uma qualificação: conclave de muito cacique e pouco índio. Desde o pricípio presidido pelo doutor Alfredo Campos Pimenta, que faz dele parte de sua vida. O local é privegiado: a paisagem de Caxambu, hospitaleira, bonita, e uma espécie de botica de Deus, tal a diversidade de indicações terapêuticas das aguas de suas fontes no seu parque aquático. Neste congresso tem sido fundadas várias entidades, como a Federação Brasileira de Academias de Odontologia; A Academia Tiradentes, de ambito nacional: a Sociedade Brasileira de Dentistas Escritores... Ultimamente juntaram-se ao congresso os encontros mineiros de arte e poesia que este ano expediu um diploma de mérito cultural ao poeta pernambucano Carlos Pena Filho e comemorou com sessão solene o centário do cantor e compositor Ataulfo Alves, fazendo também um show com um filho do homenageado. Caxambu, durante anos foi Meca da odontologia brasileira de hipnose, juntando ao Congresso Sul Mimeiro, o Congresso Mineiro de Hipnose e Medicina Psicossomática, enrequecido com a presença de expoentes como Alvaro Badra, Énio Lima, Ivan Cesar.... O movimento foi fenecendo com a morte desses proficionais.
Durante o Congresso recebi da Academia Tiradentes de Odontologia o diploma abaixo. 
e
Escrito por melo28 às 10h53
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QUEM TEM MEDO DE FANTASMA?
josé roberto de melo Eu tinha uma farmácia em Cortês quando resolvi voltar a estudar, no Recife. Contratei então Moacir, que se dizia vindo de Manaus. Competente, cultura mediana, tudo indicava que tinha feito uma feliz esocolha, se não tivesse descoberto que ele era dado às bebidas. Ele morava no fundo farmácia, onde tomava porres noturnos e então mandava chamar "damas" da rua da Lama , baixo meretrício da vila. Apavorado, pelo escândalo que o fato podesse provocar, pedi ao comissário de polícia que proibisse o"trafego" de mulheres e avisei ao Antônio, um rapazinho que era servente da casa e mensageiro de Moacir que, se persistisse na recrutamento das prostitutas seria demitido. No primeiro porre depois, Moacir ordenou ao servente: -Vá chamar Carminha de Ezequiel. O garoto deu uma volta na rua e voltou dizendo que a mulher estava ocupada. Moacir insistiu nomeando quase todo elenco da zona: Olindina Pata, Chocolate, Mederreta, Irene Branca... Antônio ia inventando desculpas até que altas horas resolveu encerrar a farsa: -A rua da Lama já está toda fechada. Não tem mais ninguem. E eu vou me encostar por aqui e dormir. Tenho medo de ir para casa e passar no corte da linha de ferro que é malassombrado. Moacir, olhos injetados, passeava pela casa, cambaleante, inconformado, procurando uma solução, quando, de repente, teve uma ideia escabrosa e gritou: -Seu Antonio!!!!!!! Tire a roupa e venha cá, nu, urgente!!! O rapaz, apavorado, abriu a porta, esgueirou-se pela escuridão, passou o corte sem medo de fantasma, certamente um perigo menor.
Escrito por melo28 às 10h54
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JOSÉ ROBERTO DE MELO RECEBE HOMENAGEM
A Academia Internacional de Literatura e Artes, em sessão realizada no plenarinho da Câma Municipal do Recife, admitiu novos membros e homenageou algumas personalidades. Na foto a Presidente Sheila Cohen entrega o troféu ao Dr. José Roberto de Melo, um dos homenageados. 
O trofeu "Ronaldo Francisco da Silva" outorgado ao professor Jose Roberto de Melo, na categoria de Odontologia e Hipnose.
Escrito por melo28 às 10h11
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ESCANINHOS DA HIPNOSE-6
josé roberto de melo Encontro na Internet a informação de que o parque de diverssões Chessington Word of Adventuras, na Inglaterra, mantem um hipnólogo de plantão. O referido profissional fica a disposição dos pais de crianças que não têm coragem de acompanhar os filhos em brinquedos de aparência perigosa. Hipnotizados os genitores perdem a fobia. Fobia é um medo patológico, sem motivo lógico. Medo que removi, também com hipnose, em muito pacientes, durante mais de quarenta anos de clínica odontológica. A hipnose continua funcionando, mesmo depois do paciente sair do transe. ( Sugestão pós hipnótica). Eu sugeria ao pacente fóbico que ao sentar na minha cadeira de operações ficaria relaxado, calmo, disposto, sem menhum medo. O que acontecia, mesmo nas sessões seguintes. Cheguei a ouvir de uma paciente que não sabia com explicar, mas aquela cadeira era "mágica" bastava sentar nela para perder o medo. A hipnose, bem aplicada, pode fazer muito pela humanidade.
Escrito por melo28 às 16h54
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RONILDO
josé roberto de melo Morreu Ronildo Maia Leite. Com ele foi um pedaço do meu passado. A gente se esquece que viver é morrer um pedacinho cada dia. Como uma homenagem, do meu jeito, transcrevo aqui uma crônica do meu livro Memento do Floclore Odontológico.(Ed. Bagaço)
TORTURA DUPLA, NÃO! Ronildo Maia Leite, repórter premiado, jornalista para quem o diploma universitário não foi o instrumento inicial, dir-se-ia antes uma comenda referendando o ato já praticado. Vida dedicada à imprensa do Recife, passando pelo extinto Jonal Pequeno, ainda portando os pelos dos cueiros. Abrindo espaço com a cara e coragem. Com a vontade de vencer que trouxe de Garanhuns e a responsabilidade de descendente do velho Thomas Maia. Somente depois fez faculdade. Garanhuns ainda hoje respinga no seu estilo peculiar quando não se desgruda totalmente do linguajar da infância, chamando, por exemplo, marginal de "maloqueiro". Foi lá.na cidade fundada por Simôa Gomes. que, nós, eu e ele, nos conhecemos e padecemos sob o poder do Padre Adelmar Valença, no Celegio Diocesano. Padre educador de machos que continua meu guru por toda vida
Ronildo foi amizade conservada no Recife. Cultivada nas conversas intermináveis noite a dentre, quando sentávamos em qualquer mio-fio de rua do bairro Boa Vista. Ou nas madrugadas dos bares, até que uma cerveja mais afoita saturasse o limite do amigo e viesse a frase fatal na transformação brusca da lucidez ao porre, com um linguajar chiado que dá a cara-cheia: -Eu xei que xou chato! Ronildo mergulhou de corpo e alma na aventura que o lançamento do jornal Última Hora no Recife, defendendo princípios que o movimento militar de 64 não perdoou e puniu fechando o periódico. Se a coragem e ação caracterizavam o profissional no seu mistér de informar e reformar, o cliente Ronildo, que Deus me perdoe a transgressão da ética, não era dos mais fácies. Carregava os anseios e o medo matirizadores de tantas pessoas. Apesar de ser na época casado com uma dentista, me deu a honra de cuidar de seus dentes e paciência de aturar os seus temores. Daí a minha supresa quando um dia me procurou no velho sobradão do Páteo do Carmo, onde funcionava o Serviço Odontológico dos Servidores do Estado de Pernambuco (IPSEP), com uma disposição inabalável: -Quero tirar um dente! Examinei o elemento apontado e concluí que a exodontia não estava indicada, a preferência devia ser pelo tratamento conservador que preservaria o dente, se restaurado. Mas, não houve argumento que o convencesse: queria por que queria, fazer a extração, o que acabei fazendo, embora constragido por estar violando as minhas convicções.
Terminado o ato, Ronildo que se portara de uma maneira estoicamente tranquila a contrariar sua maneira habitual de comportamento desabafou: -Olha rapaz, eu estou intimado para uma Comissão de Inquérto Policial-Militar para amanhã à tarde. Posso ser preso. Já pensou o cara torturado e ainda por cima com dor de dente?
Escrito por melo28 às 09h41
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DORIS DE ONTEM E DE HOJE
josé roberto de melo Não. Eu não estava como o Brasil, "deitado em berço esplendido." Estava recostado prosaicamente no sofá da sala, com a intenção de assistir um jogo de futebol na televisão. Adormeci e não ví jogo nenhum. Acordei com o Jô Soares entrevistando uma senhora gorda, marca dos anos desenhada em um rosto que me pareceu simpático, mas que eu não identifiquei logo, embora me parecesse familiar. Interessado diblei o sono e fiquei escutando o resto da entrvista. Logo estava sabendo que era da cantora Doris Monteiro que eu não via, fazia já um bocado de tempo. Foi então que me veio à lembrança a primeira vez que tinha me deparado com, a então, moça Doris Moneiro. Foi em tempo que a televisão era escassa e a gente não via cara de artista com muita facilidade. Fiquei então a comparar o que o tempo tem feito comigo; e pesar os estragos na minha pessoa. Eu estava voltando de São Paulo, de um congresso odontológico, no ano em que a pauliceia festejava o seu quarto centenário, e programado uma passadinha no Rio. Comigo no Rio ficou o colega Valdir Farias que me convidou para assistir a um show no Capacabana Palace. Nesse tempo as maiores boites do Rio de Janeira contumavam apresentar grandes espetáculos. E foi para um desses que fomos nós, eu Valdir e mais duas colegas que tambem voltavam de São Paulo, com um convite que um parente de Valdir tinha ofertado. Foi neste show que ví Doris Monteiro pela primeira vez. E me ficou na lembrança até hoje. Ela descia para o palco do teto, em uma espécie de gaiola dourada, portando um vestido branco, comprido. Na sua figura destacava-se uma grossa trança, repousando para frente, sobre um dos ombros. Era realmente uma moça linda. Essa imagem eu guardei da Doris. Vi agora conversando com o Jô uma senhora bem passada, tentando cantar, com uma voz respondendo dificil, canções de um disco novo, lançado com sucessos antigos. Fiquei me lembrando dos versos do poeta Bernardino Borba: "O tempo não corre vôa/ O tempo é bicho danado/ Pra consumir a pessoa." Não tive coragem de me olhar no espelho no caminho para a cama.
Escrito por melo28 às 11h29
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DIPLOMA DE JORNALISTA
josé roberto de melo O Supremo Tribunal Feraldecidiu que a exigência de diploma para o exercício profissional de jornalismo é inconstitucional. Quando iniciei minhas atividades jornalísticas não existiam ainda os cursos superiores de jornalismo. Na verdade eu estava interessado na emancipação de Cortês, na época um distrito de Amaraji, pobre e desconhecido. Pretendia torna-lo visível e pedia aos jornalistas do interior que escrevessem uma matéria sobre este distrito abandonado. No fim da década de 4O, do século passado, a imprensa do Recife dedicava um grande espaço ao interior do estado. Cada jornal tinha uma página inteira diarimente dedicada a ele. Mas, cada pedido atendido ficava em um artigo só. Foi quando me decidi a entrar pessoalmente na briga. Fui com a cara e a coragem à redação do Diario de Pernambuco levando no bolso um artigo. No jornal encontrei Waldimir Maia Leite chefiando a página do meu interesse. Tinhamos estudado ambos no Ginásio Diocesano de Garanhuns. Saí do Diário com certeza de que a minha matéria seria publicada e mais: com a nomeação de correspondente do interior em Amaraji. Estava assegurado o espaço na imprensa que eu precisava para para defender Cortês. Criada a nova cidade tive a honra de ser o seu primeiro prefeito. Continuei usando a imprensa para divulgar o município. Juntei ao cargo de correspondente do Diario mais dois: Correspondente da Folha da Manhã e do Jornal do Commercio. Do Jornal do Commercio, lembro de Alcides Lopes, encarregado do noticiário do interior, me ofertando a carteirínha do jornal e de uma centena de cartões de visita com a designação de "jornalista" impressa. Comecei a publicar o jornalzinho "A Cidade" que durante muito levava o nome de Cortês Brasil afora. Faziamos permuta com jornais do interior de vários estados. Lembro-me de um de Viamão, do Rio Grande do Sul. Cortês chegava ao Chuí, nos limites do sul. Fiz parte de uma campanha pelo reconhecimento do jornalista do interior como membro efetivo da Associação Pernambucana de Imprensa, que era grande instituição da época. O jornalismo matuto se movimentava. Faziamos congressos e publicavamos muito. Vários nomes se projetavam. A cultura do interior se projetava. Pelopidas Soares, jornalista de Catende, se elegeu para a Academia Pernambucana de Letras. Foi então que apareceu a regulamentação da profissão de jornalista. Exigência de diploma. Trabalho de escriba remunerado. O pessoal que escrevia nas páginas dos municípios era praticamente todo de colaboradores sem remuneração. Os jornais recuaram. As paginas começaram a desaparecer. Com isso desaparecia uma cultura que parecia sedimentada. Só para comparar. O Jornal do Commercio publica agora uma coluna, aos sábados, sobre o interior. São notas descoloridas que mais parecem anúncios de classificados. Passou o entusiasmo telúrico dos correspondentes que defendiam com amor o seu pedaço. O apreço de adnegados por sua terra. A divulgação de tradições e custumes locais. feita por quem partipava deles. É comum, quando se regulamenta um profissão, provisionar permanentemente àqueles que já participavam do ofício. Alguem, não me lembro quem, me alertou que eu devia requerer o que achava era direito meu. Eu além do jornal de Cortês, publicava semanalmente matérias assinadas em três jornais da capital. Requerí no Ministério do Trabalho o que alguem mencionado acima, achava que era direito líquido e certo. Meu processo foi enviado para o sr. Joezil Barros, presidente na época do Sindicato dos Jornalistas para parecer. O mesmo que hoje é um dos grandes dos Diarios Associados em Pernambuco, mais que eu, com o devido respeito, sempre achei mais para burocrata do que jornalista, sem o brilho de um Anibal Fernandes ou Mauro Mota. O parecer de Joezil me fulminou: como correspondente eu não era jornalista por que não me pagavam. Do jornal de Cortês eu não era jornalista, era proprietário. Sem comentários. Livrei-me do vício de fumar com facilidade com auto-hipnose. E fumava muito. Várias carteiras por dia. A mania de escrever eu conservo. Durante muito tempo colaborei com as "Cartas à Redação" do Diario de Pernambuco. Parei quando Leonardo Dantas deixou de dirigir a coluna e apareceu alguem que mexia nos meus textos. Colaborei na revista "Região" que circulou em Palmares. Publique durante dois anos crônicas semanais no "Diário" de Maceió. Conservo minha coluna no jornal da Sociedade dos Cirurgiões Dentistas de Pernambuco. Publiquei alguns livros. Atualmente me devirto neste blog e conto com uma turma de amigos que sempre comenta as coisas que seleciono, lavando o meu ego. Que Deus os abençoe, são muito caridosos
Escrito por melo28 às 10h21
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CONVITE
josé roberto de melo Recebi ontem, dia 2 de junho, um fax da Associação Caruaruense de Ensino Suprior, me convidando, para a abertura, hoje, dia 3, do III Congreso de Odontologia de Caruaru. Comunicava-me também que eu seria agraciado com uma réplica do busto de Mestre Vitalino, cujo centenário está sendo comemorado este ano. A notícia de deixou muito emocionado. Na minha idade as homenagens nos deixam com a sensação de continuarmos vivos. E mais, muito agradaveis as vindas de uma instituição a que tive o prazer de servir com muito amor. Porém ao mesmo tempo me deixa triste. Pela dificuldade de atender um convite feito em cima da hora, praticamente. Morando no Recife, ensinei na Faculdade de Caruaru durante 18 anos. Quando a deixei ocupava o cargo de diretor. Para exercer as minhas atividades ia e voltava de carro. Na maior parte das vezes viajava em companhia dos professores Fausto Tenório, Gustavo Leal, Lenival Silveira, mais ia sozinho quando a necessidade era urgente. A estrada não era a maravilha duplicada que é hoje. Muitas vezes um caminhão, na Serra das Russas, nos fazia penar sem que desse condição de ultrapassa-lo. Cheguei um dia a ver assombração na estrada, que não deixe mentir a professora Maria Claudete, minha dileta amiga e minha assistente na época, que viajava comigo na noite fatal. Tudo, como na canção pupular era festa, era festa. Eu me sentia muito bem com os meus alunos de lá. Sempre amigos e respeitosos. Hoje, ultrapassada a barreira do 80 anos, a coisa não fica fácil. Qualquer deslocamento, por mais vagabundo que seja, precisa de tempo e estratégia. Viajar sozinho tem o veto da família. Veto da mulher e do filho. Contei aqui que fui reprovado no exame de saude para renovar a carteira de motorista. Entrei em revisão, operei catarata, sacudi a poeira para dar volta por cima. Voltei ao exame, passei pela metade. A doutora só deu um ano de validade para a minha carteira. E recomendou: "Acho bom o senhor não dirigir à noite nem na estrada." Isso é validade para um cristão, brasileiro e temente a Deus? Procurei Daniel, gente boa, sobrinho de minha mulher, para me acompanhar a Caruaru. Ele viajou. Por isso estou aqui escrevendo estas notas, muito agradecido a ASCES e muito pesaroso por não poder comparecer ao evento. E sem saber se busto de Mestre Vitalino chegará um dia às minhas mâos.
Escrito por melo28 às 16h05
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ESCANINHOS DA HIPNOSE-5
josé roberto de melo Um dos mais estranhos personagens da história da hipnose, foi o monge russo conhecido como Rasputin. Seu nome de batismo era Gregori Iofimovitch, filho de camponeses sibrerianos, nascido em 1864. De vida pregressa confusa este homem tornou-se figura proeminente da corte russa no princípio de século passado, graças ao controle de severas hemorragias sofridas pelo principe herdeiro trono que, era hemofílico, usando o hipnotismo. Ele tornou-se protegido da imperatriz Alexandra Fedorovna, que não dispunha, na época, de nenhuma outra terapêutica para tratar do filho. Chegando a dominar o governo por sua influência, Rasputin teve uma conduta devassa, estendendo suas conquistas amorosas na sociedade de Moscou. Sua devassidão lhe deu muitos inimigos e ele terminou assassinado em um jantar oferecido pelo príncipe F. Iussupov e o grão-duque Dimitri Pavlovich em 1916. Agora que Conselho Federal de Odontologia reconheceu a Hipnose como terapêutica alternativa é bom lembrar aos dentistas que ela é um poderoso meio de controlar hemorragias, mesmo em hemofílicos. Sei disso de ciência própria. Algumas experiências que tive neste campo estão relatadas no meu livro Hipnose em Odontologia - Manual do principiante.
Escrito por melo28 às 10h28
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VOLTEI...
josé roberto de melo A ultima reprovação traumática de que eu me lembrava era de 1944. Foi no primeiro ano científico no Celégio Padre Felix. Eu estava acostumado em, no Colégio Diocesano de Garanhuns, aparecer nos primeiros lugares. Não, diga-se a verdade, nos primeiríssimos. Estes eram dos oblatos, chegados no Covento dos Beneditinos, que estudavam conosco no Diocesano, cursando o ginásio.Mas, na ala seguinte, dos melhores, eu figurei durante todo o tempo. Saindo do internato para estudar externo no Recife, a adptação não foi fácil. O padre dono do colégio era político. Havia os alunos filhos de seus correligionários e amigos. Eu me sentia em uma casta inferior. Não sei se com justiça. Mas sentia a descriminação e preconceito. A reprovação atual foi no exame de vista do DETRAN. E o pior é que a médica examinadora foi minha aluna, no curso básico, na Universidade do Estado de Pernambuco. Ví minha auto-estima escorrendo pelo cano. Senti-me um lixo. Mas, o jeito foi sacudir a poeira e dar a volta por cima, mesmo sem muito ânimo, diga-se de passagem. Tive que me livrar da catarata que, aliás, já havia sido diagnosticada há um tempinho. Mas eu achava que estava ainda vendo muito e bastava para o gasto. Não gosto muito de me dispôr à operação. Só entro quando não vejo alternativa. Mas essa de catarata tem seus encantos. E posso jurar para os que estão necessitados de enfrentar o mesmo barco: não dói nada. No mesmo dia a gente já sai do hospital vendo tudo e com muitas surpresas. Se descobre uma alvura que dormia esquecida por muito tempo. E percebe-se que a sujeira mais recente não era do mundo mas, estava em coluio na intimidade interna dos nossos própios olhos. Então vem o lamento pelo tesouro azulecido que estávamos perdendo. A gente fica com vontade de imitar o poeta Carlos Pena Filho que confessou ter pintado de azul os seus sapatos por não poder de azul pintar as ruas. E também a vontade de me desculpar com a hematoxilina, corrante das láminas do curso de Histologia que ensino na faculdade. A catarata estava me impedindo de perceber com clareza as nuances de azul que ela oferece ao microscópio. Na cirurgia atual de catarata o cristalino - lente natural de olho - é substituido por uma lente sintética. No meu caso o dr. Marcelo Ventura aconselhou uma lente especial, capaz de corrigir parte do estigmatismo que eu possuia. Foi como introduzir não somente o cristalino, mas, parte dos óculos que eu usava, dentro o olho. A ciência vai fazendo de nós um pouco daquele personágem de ficção que o cimena divulgou como o homem articialmente reproduzido por seis milhões de dólares. Eu já tenho umas coisinhas que não fazem parte do meu soma natural recebido por obra e graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. Na conta vão uns dentes; uma tela que carrego no ventre, artificial, e preventiva contra a reeincidência de um par de hernias que me acompanhou na vida por muito tempo. Aliás, estas hérnias já estavam na mira da segurança nacional. Uma vez, no aeroporto do Rio de Janeiro, fui cercado pela polícia federal e os caras usando a disposição treinada na época da ditadura militar, perguntaram sem mais delongas apontando para a infeliz: "O que senhor porta aí?" A polícia tem seu jargão. Coisa suspeita não se carrega, se porta. Ana Maria, minha mulher que me acompanhava, amarelou, mas eu não tinha o que esconder, disse e perguntei se era para mostrar. O cana riu amarelo e, encabulado, me deixou passar. Agora a soma de partes novas acrescidas à matéria do velho Zé Roberto cresce com o par de cristalinos supra-mencionado. Estou desconfiado que, se viver mais alguns anos, vou me transformar em um molho de coisas contrabandeadas da China. Neste resto de vida não vou ganhar mais seis milhões de dolares para me transformar em um falso legítimo. Durante estes dias em que estive meio "depré," sem escrever, não deixaram de aparecer o registro das visitas a este blog. Pingavam, não digo com a rabugência de uma torneira de sola estragada, vasando em noite de insônia. Mas com a constância do canto das cigarras que ouço aqui da varanda no meu quarto e agradavel como a melodia repetida no Bolero de Ravel. Até e-mail e cartas recebi perguntando o que estava havendo. Agora operado e de lentes novas, me sinto mais seguro para monobrar este computador e agradecer tudo de bom que vocês me ofertaram. Acho que ainda dá para viver algum tempo. Embora haja controvérsias. A doutora que renovou minha licença de habilitação para dirigir só me deu um ano de validade. Tudo como o poeta na canção pupular: "Velhice chegando e eu chegando ao fim."
Escrito por melo28 às 10h44
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TROVÃO-8
josé roberto de melo Eu nunca usei chapéu, Mas, agora vou usar, Só pelo prazer de tira-lo Ao ti ver, faceira, passar.
Escrito por melo28 às 16h18
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BANHO
josé roberto de melo Na minha meninice conheci, na Usina Pedrosa, onde morava, uma velhota alegre que confessava não tomar banho. E se justificava: dizia que tinha ciência de muita gente que adoecera e até morrera, por tomar um banho e ninguém que tivesse ficado doente por não se banhar. Esta história pode causar espanto a desavisados, mas não é nova no mundo. O Palácio de Versailles, rica residência dos reis de França. aí por 1600 e tantos, tinha tal luxo que ainda hoje é museu. Mas não tinha banheiro. Aliás, contam que o fancês não gosta de banho. Prefere mascarar o fedor com perfume. O resultado disso é que, conforme me contaram, um bodum muito desagradavel, impera no metrô de Paris. Mas o que é o banho? Seria só o resultado da ação da imerssão total ou parcial de um corpo em líqudo especialmente água, para fins higiênicos, terapêuticos ou lúdicos? A palavra banho tem seus mistérios e significados totalmente diferentes. Posso falar em banho me referindo a proclamas de casamento. Que não tenha a ver com banho que certos estilistas, preparadores de noivas, no dia fatal, oferecem às próprias nos seus estabelecimentos. Ou me referir à imersão em leite de cabra que fazia rainha Cleópatra, do Egito, muitos ano antes de Cristo, para conservar a sua beleza. É banho o ato de se lavar em água limpa a livrar o corpo da sujeira que a vida oferece. Mas, também é banho cobrir o soma de lama sulfurosa e o sujar em busca de uma pele sadia. O banho turco é feito com vapor: o banhista fica em uma espécie de barril, só com a cabeça de fora. As senhoras antigas tinham suas peferências pelo banho de assento, onde somente a parte inferior (principalmente a zona pudenta) participava da limpeza e era denominado solenemente de semicúpio. Aliás o semicúpio tambèm aliviava os homens, usado em temperatura elevada, nos casos de incômodo que injuriavam à próstata. Há banhos que lavando corpo limpam a alma. O batismo cristão que, era feito por imersão, é um exemplo milenar. Na Índia se limpa o espírito banhando a matéria na aguas poluídas do Rio Ganges. Proteção espiritual se oferece com os banhos de ervas nos terreiros de candomblé. Especial no assunto é o banho de cheiro com sete ervas.Os antigos romanos possuiam as termas - luxuosos banhos quentes públicos. Coisa de séculos passados, mas que ainda hoje empolga alguns. Tabosa de Almeida construiu termas no campus da Faculdade de Dieito de Caruaru. Usado no regionalismo paraense, no carimbó, dança local, banho significa golpe de saias com que as damas cobrem os parceiros, que se agacham e diante delas negaceiam. Os bichanos animais não muito chegados à água, lambem-se para se limpar, dando origem a expressão banho de gato. No sentido figurado o termo banho tem muitas raizes. Chama-se banho de sangue às catástrofes com muitos feridos e mortos; e afirma-se que toma banho de mar quem fica na praia, deitado na areia, sob o sól escaldante, atoicaindo cupidamente a anatomia da mulher do próximo, molhando-se apenas de suor, sem jamais entrar na água. É possivel que os meus possiveis leitores se lembrem de outros banhos que não mencionei. Ficaria grato se me informassem. E para terminar permitam que cite o velho banho-maria. Aquele onde se põe uma vazilha no fogo, dentro de outra, com água controlando a temperatura da primeira. Este banho é chamado de "maria" em homenagem à sua inventora Maria, a Judia ou Maria, a Profetisa, antiga grega e famosa alquimista que viveu no Egito por volta do ano 272 a C. "Poetas , seresteiros, namorados" fazem uma homenagem poética, quando chamam à exposição das pessoas à luz do satélite da Terra, de banho de lua. Benza-os Deus!
Escrito por melo28 às 09h01
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TROVÃO-7
josé roberto de melo
Ao psicanalista não vou, Serei o mesmo até morrer, Limpo e livre dos complexos, Quem vai me reconhecer?
Escrito por melo28 às 14h50
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Ah! MEU PAI...
josé roberto de melo Meu pai, Odilon de Albuquerque Souza Mello, formou-se em farmácia e logo depois foi para o interior, onde, pela falta de médico onde estava ele, teve que exercer a medicina e até a odontologia. Sempre teve muito sucesso, e eu até acredito que ele tinha, no desempenho dessas funções, um procedimento paranormal.(¹) Deixe eu exemplificar para que me entendam. Certa vez o vi atender um paciente e dizer ao consulente que para se livrar dos males que reclamava, tinha que se livrar antes de um foco de infecção dentária. O homem meteu a mão na boca e retirou um par de dentaduras completas. Eu gelei. Já era estudante de odontologia e sabia que ninguem poderia fazer aquele diagnóstico, sómente por um exame clínico. A ausência dos dentes complicava a coisa. Papai não se perturbou e disse ao paciente: -Você vai ao Recife para fazer umas radiografias dos maxilares e depois vem cá. O homem voltou com as radigrafias e o diganóstico de um foco dentáro residual em uma raiz que havia sido deixada, na sua mandibula, se não estou enganado. Mas o que quero lembrar aqui não é o especto profissional do meu pai. O que gostaria de lembrar era o gosto que ele tinha para fazer um discurso. Houvesse oportunidade e ele estava falando. Aniversário, casamento, batizado, ele estava pedindo a palavra. Outra coisa dele era a tara por mulher. Ele não era de festas, de farras, de bebedeiras. Nunca o ví entrar em um bar para tomar uma cerveja. Tomava raramente um vinho no almoço com a família. Tinha horror a cigarro. Mas quanto se tratava de mulher... O que vale é que minha mãe era muito compreensiva e as virtudes dela deram para que eles vivessem sem grandes tropeços. Certa vez saímos da Usina Pedrosa, onde moravamos, com um time de futebol para jogar na Usina Cachoeira Lisa. Viagem, diga-se passagem, muito desconfortavel, pois foi feita na carroceria de um caminhão. Odilon integrava a comissão dos cartolas, como orador. Logo na chegada, muita gente na recepção feita em uma bela casa de festas, conhecida como o Cassino, luxo que não era comum nas usinas. Na pequena multidão presente, salientava-se uma moça que podia se chamar de muito bonita. Ela era morena clara. Tinha um par de olhos grandes e verdes, brilhantes de encandear. Seu corpo, eu não sei se feito por inspiração divina ou diabólica, era dengoso e atraente, parecendo servir de argumento seguro para não deixar ninguem esquecido da perpetuação da espécie humana. Notei que meu pai ao olhar para ela ficou extasiado. Era fácil perceber pois quando ele se entusiasmava por uma fêmea, começava a mudar o tom de voz, procurando introduzir na fala uns dengos que só a gente ouvindo podia avaliar. Não sei o que rolou, pois, logo depois, o jogo absorveu completamente a atenção geral. Porém, mais tarde, houve uma sessão solene, para as trocas de gentilezas entre os clubes e foi a hora de Odilon discursar. Ele sempre falava de improviso. Não tenho a menor recordação de têlo-lo visto lendo alguma coisa para falar em público. Mesmo quando andou fazendo política; foi sub-prefeito de Xexéo, então distrito de Agua Preta, e quando ele morava na Usina Santa Terezinha. Nem quando foi candidato a deputado estadual. Mas foi por este discurso o meu lamento por não o ter à mão depois. E dele só me recordo da frase final. Do fecho da oração. O discurso que era sobre esporte, quando muito sobre o relacimento entre trabalhadores da industria do açucar, envolveu-se em uma ginástica de pensamentos e de palavras, e as frases aquecidas pelo pulsar de um coração em polvorosa, fundiu-se no cadinho da paixão. e terminou asssim: -A mulher é a oitava maravilha do mundo!!! Ah! Ele era incrivel. (¹) Sobre a percepção extra-sensorial de Odilon, publiquei o livro A Paranormalidade no Cotidiano (Edições Bagaço)
Escrito por melo28 às 17h30
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